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É possível aliviar a dor no trabalho de parto sem o uso de medicamentos?

19/04/2017 | Artigos | Saúde & Bem-estar

Todos nós sabemos que a dor do parto é própria da natureza humana. Diferente de outras experiências dolorosas agudas e crônicas, ela não está associada à nenhuma patologia, mas ainda assim, algumas mulheres a consideram a pior dor já sentida.

A dor do parto é resultante de complexas interações, de caráter inibidor e excitatório. Apesar de seus mecanismos serem semelhantes aos da dor aguda, existem fatores específicos do trabalho de parto de natureza neurofisiológica, obstétrica, psicológica e sociológica que podem interferir. Por isso, as opções não farmacológicas podem auxiliar a mulher no alívio da dor.

É fundamental o equilíbrio emocional durante o trabalho de parto, pois quando os níveis de adrenalina estão altos o sistema nervoso simpático é imediatamente ativado, fazendo com que os níveis plasmáticos do hormônio liberador de corticotrofinas, do hormônio adenocorticotrófico e do cortisol também aumentem. O que comprova que o estresse é um mecanismo biológico adaptativo de defesa.

Levando em consideração esses aspectos, torna-se evidente que é fundamental desenvolver ações para diminuir o nível de ansiedade e estresse da mulher durante este momento tão especial, pois mesmo com a utilização de inúmeros analgésicos, aparentemente, sozinhos, eles não conseguem controlar esse fenômeno tão amplo que é a dor do parto.  

“Os Métodos Não Farmacológicos (MNFs) para alívio da dor, utilizados durante o trabalho de parto, são tecnologias de cuidado que envolvem conhecimentos estruturados quanto ao desenvolvimento da prática de enfermagem em centro obstétrico. O uso desses métodos vem sendo alvo de estudos desde a década de 60, entretanto, de maneira geral, passaram a ser introduzidos em algumas maternidades brasileiras a partir da década de 90, com o movimento de humanização do nascimento e com as recomendações do Ministério da Saúde (MS) para assistência ao parto.” Gayeski; Brüggemann, 2010.

Os Métodos Não Farmacológicos são baseados em conhecimentos estruturados, sem a necessidade de equipamentos sofisticados para sua utilização, podendo ser aplicados pelo acompanhante da escolha da parturiente. Os MNFs podem ser classificados como tecnologia leve-dura, pois são baseados nos saberes estruturados, tanto dos profissionais de saúde como em relação à clínica e a epidemiologia.

Odaléa Maria Brüggemann (Doutora em Tocoginecologia e Docente do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC) e Michele Edianez GayeskiI (Mestre em enfermagem e Enfermeira do Hospital Universitário da UFSC) realizaram uma revisão sistemática com o objetivo de avaliar os resultados maternos e neonatais decorrentes da utilização de Métodos Não Farmacológicos para alívio da dor no trabalho de parto. 

A revisão sistemática consiste em um estudo secundário, que tem por objetivo reunir estudos semelhantes avaliando-os criticamente em sua metodologia e reunindo-os numa análise estatística, chamada metanálise.

Para a execução da revisão sistemática foi realizada uma pesquisa nas bases de dados CINAHL, MEDLINE, LILACS, SciELO, SCOPUS e Isi Web of Science, onde foram estudados 12 ensaios clínicos randomizados elegíveis, publicados entre os anos de 1980 e 2009, que avaliaram o banho de imersão, a massagem e a aromaterapia.

Os resultados da metanálise realizada mostraram:

  1. Banho de imersão: para não prolongar o trabalho de parto e prejudicar os resultados neonatais, o banho de imersão deve ser iniciado após 3cm de dilatação. A temperatura da água, o tempo de permanência na banheira e a dilatação cervical para o início da intervenção devem ser avaliados cuidadosamente, pois podem alterar o progresso do trabalho de parto;
  2. Massagem: foram avaliadas massagens na região dorsal, nos pés, na cabeça, nos ombros e nas mãos, envolvendo 238 primíparas (mãe do primeiro filho) e multíparas (mulheres que já tem filhos). O estudo mostrou que a massagem pode ser eficaz no alívio da ansiedade, dor e estresse, sendo mais efetiva para reduzir a dor quando utilizada no começo da fase latente. 
  3. A aromaterapia durante o trabalho de parto foi estudada através da avaliação de 513 parturientes. A aplicação do método foi realizada por parteiras não aromaterapistas e o óleo essencial foi aplicado através de acupressão, massagem, escalda pés, diluição em água para banho de imersão e inalação. L. augustifolium (lavanda) foi o óleo mais usado através de inalação e massagem, por escolha da parturiente. As pesquisadoras chegaram a conclusão que a dor, a ansiedade e o medo foram menores para 86% das mulheres que receberam a intervenção. Em relação aos resultados neonatais, houve uma redução de admissões de bebês na UTIN (Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal).

Tendo em vista os aspectos avaliados, é necessário estabelecer parâmetros de aplicação de cada método para que os resultados maternos e neonatais sejam positivos e contribuam para a satisfação da mulher.

Concluímos, então, que nem todos os métodos são eficazes no alívio da dor, mas que podem reduzir os níveis de estresse e ansiedade, promovendo satisfação. É importante ressaltar que a redução dos níveis de estresse pode prevenir a hiperventilação e, consequentemente, a alcalose respiratória, reduzindo assim a liberação de catecolaminas, o que contribui para uma melhor perfusão placentária e menores índices de acidose fetal, gerando resultados neonatais positivos.

A escolha do método a ser utilizado durante o trabalho de parto deve ser feita tendo em vista as características abrangentes e individuais da dor, assim como todas as variáveis que estão envolvidas na experiência do nascimento. O uso de medidas não farmacológicas exige da parturiente um maior controle sobre seu próprio corpo e emoções. Devemos sempre levar em consideração a individualidade de cada mulher e os sentimentos que acentuam-se durante o trabalho de parto, assim como conhecer os efeitos dos métodos não farmacológicos. Por isso é imprescindível a realização de pesquisas com o intuito de conhecer as preferências das parturientes em relação ao tipo de método utilizado. 

Fontes:

Gayeski M, Brüggemann O. Métodos não farmacológicos para alívio da dor no trabalho de parto: uma revisão sistemática. Santa Catarina (SC); 2010.

Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072010000400022&lng=pt&nrm=iso 


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