Rosas: o aroma símbolo do sagrado feminino

Vamos imaginar uma situação em que houvesse uma eleição internacional para “seu óleo essencial preferido”.  O cheiro das rosas, muito provavelmente, sairia como o vencedor absoluto. Nenhum outro aroma é tão aceito e apreciado universalmente como a rosa.
Esse caso de amor pelo aroma de rosas não é de hoje. Fósseis encontrados apontam que há 35 milhões de anos uma primavera trouxe o primeiro botão de rosas ao mundo. Esta rosa selvagem tinha originalmente 5 pétalas, chamada de rosa gállica e é considerada a planta que deu origem as demais espécies com mais pétalas, como a rosa damascena e a rosa centifolia. Indícios apontam para a Pérsia como o local onde o mais doce aroma tenha motivado o homem a arar a terra e dominar o seu cultivo. Temos então um cenário onde, à partir da Pérsia, seu cultivo estendeu-se pelo Oriente Médio e, posteriormente, pelas mãos dos Gregos, chegou ao mediterrâneo propagando-se então pelo resto da Europa.
Mas o que faz da rosa um aroma associado ao feminino?
Vamos iniciar observando a planta e seus hábitos. O arbusto de rosa depende de uma condição fundamental: umidade. Muita umidade. Umidade em forma gasosa, visto que o solo pode ser bem drenado, sem afetar sua florada. Esta é uma condição encontrada, por exemplo, na cidade de Grasse, situada nos Alpes Marítimos, onde em artigo previamente publicado apontamos o ressurgimento de uma tradicional dedicação ao cultivo de rosa centifolia.
Nessa região da França meridional, as chuvas são escassas, mas a umidade soprada pelo vento à partir do mar Mediterrâneo, em conjunto com condições do solo, faz dela excepcional para o cultivo da rosa.
Outra característica feminina é o horário em que ocorre a exalação máxima do aroma na florada, entre 2h e 9h da manhã, sob a luz do luar. A colheita também deverá ser iniciada antes de alvorecer, quando a lua ainda poderá exercer sua influência com mais força.
Estas características fazem dela, tanto na forma de óleo essencial como de absoluto, o aroma mais yin dentre aqueles disponíveis para o Aromaterapeuta. Mesmo tendo imagens simbólicas que associam a rosa vermelha ao fogo da paixão, suas características são de fato refrescantes e calmantes. Desordens que tragam sintomas físicos de calor no corpo, inflamação ou secura, são aqueles onde a rosa poderá atuar com efetividade.
No plano psicoespiritual, sua aplicação ganha ainda mais relevância. Na Medicina Tradicional Chinesa existe um estado conhecido como distúrbio shen, caracterizado por uma “confusão da alma”, manifestada em ansiedade, insônia, manias, hipersensibilidade e dificuldade de concentração. Numa situação como esta, o corpo e o espírito “secam”, e a rosa restaura novamente a fluidez, harmonizando este estado psicoemocional.
O aroma de rosas, independentemente da forma ou espécie, também encontra uma grande utilidade em casos de pessoas com problemas associados a figura materna, onde houve abandono ou abuso. Nesses casos, normalmente a manifestação é uma pobre auto-estima, insegurança sexual, medo de rejeição e uma grande dificuldade em ser capaz de nutrir a si próprio. Homens com dificuldade de conexão com sua própria energia feminina também encontram na rosa um recurso de muito valor.
No plano simbólico e mitológico a presença da rosa remonta à divindade feminina Ishtar, da Babilônia. A deusa grega Vênus também é associada à rosa. Em ambos os casos, estas deusas têm no pentagrama suas representações ideográficas, que por sua vez é associado às 5 pétalas da rosa selvagem, ou rosa gallica. Tanto a Vênus grega como a Afrodite romana, diferentes nomes para a mesma figura arquetípica da beleza e do amor, eram honradas em festivais que tinham a rosa como centro do ritual.
A tradição alquímica também reconhece as qualidade dessa flor. Os alquimistas persas da antiguidade são tidos como os primeiros a terem destilado o óleo essencial de rosa, nesse caso, a rosa centifolia. O símbolo da Vas Spirituale, ou útero sagrado de onde surgiu a Pedra Filosofal, era representado pela estilização de uma rosa vermelha (útero) com uma rosa branca (pureza) em seu interior.
Na tradição cristã também encontramos a associação da rosa com a Virgem Maria. As virtudes da mãe de Cristo – pureza, perdão e compaixão – são simbolizadas por ela, e é contado nas lendas e textos cristãos que durante as visões místicas dos devotos perante a Virgem Maria, um inebriante aroma de rosas podia ser sentido.
Todas essas imagens e associações fazem por fim concluirmos que, desde sempre, o aroma da rosa, qualquer que seja sua espécie ou forma de obtenção, é associado a todos os tipos de amor: físico, sexual, maternal, paternal, romântico, platônico, devocional e universal.
Este artigo usou como referência o texto escrito por Katharine Koeppen, publicado no International Journal of Professional Holistic Aromatherapy, primavera de 2014.
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